quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Corre que corre no correr corrido

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Os ponteiros do relógio revoltam-se no incessante movimento frenético que me fornica o juízo de quatro. Fodem-me o tempo sem pedir licença e subtraem-me a capacidade de raciocinar.

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Corro para me despachar, corro para o despachar.

Corro para o deixar na cresce, corro para os transportes.

Enlato-me pelo meio do Metro, corro para chegar a horas ao trabalho.

Engulo uns cigarros pelos intervalos dos transportes.

Como qualquer coisa no escritório pelo meio de uma bica já morna, entre telefonemas, reuniões e concretizações, como mais uns cigarros e espalho as migalhas do meu pequeno-almoço pelos papéis e pelo teclado.

Assopro para que não atrapalhe a escrita de "n" coisas...

Coisas essas que me roubam a capacidade mental particular e me permitem somente maquinar as tarefas laborais.

Apressadamente oriento os afazeres, as obras, o telefone e a internet que ainda não chegou... irrita-me todas estas mudanças feitas em cima do joelho.

Corro para o almoço. Engulo uma sopa e uma gelado que só eu sei... caprichos da minha gulosa boca.

Nestes 45 minutos, aproveito para respirar o ar puro, cheio de poluição, encho de novo os pulmões de ar, e mergulho outra vez.

Corro para mais meio dia de stress.

Engulo mais uns cigarros, sorvo mais uns cafés.

Desaparece mais uma tarde.

Digo até amanhã.

Corro de novo para o enlatado Metro, corro para o outro Metro.

Corro para apanhar o Barco e durante 10 minutos respiro.

Saio inevitavelmente a correr, ultrapasso meia multidão para tentar não perder o tal autocarro esporádico.

Nesta fase, já me doem os pés, pesam-me as pernas e arrasta-se o corpo.

Corro para chegar a casa para conseguir estar mais tempo com ele.

Brinco pelo meio do duche e do jantar.

Arrasto-me para o por a dormir.

E o que tem sucedido é que eu me deixo dormir primeiro que ele!

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Raios parta mais á merda do dinheiro e do Euromilhões que não chega!

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Aos meus leitores e amigos, as minhas desculpas pela falta de tempo, mas isto anda realmente difícil de gerir. Gostaria de os informar que voltarei com capacidade cerebral assim que puder e me deixarem... Não se trata de desrespeito, nem de desprezo, simplesmente a vidinha anda a 300 km/h nas defeituosas auto-estradas do meu cérebro.

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Beijo para todos e um obrigada pela atenção contínua que me prestam.
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Dissolvidos

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Constata-se em todos os gestos a revolta da diferença.

Os passos, os olhos, distinguem-se por entre a enchente de corpos caso não fossem discretamente desvanecidos pelo preferido anonimato.

Vagueiam por entre os espaços comprimidos, os indigentes disfarçados atrás dos óculos de sol que se reconhecem entre eles pela quietude da observação (im)parcial. Veste-se a gabardina invisível e dissolve-se por entre as gotas da chuva poluente, que ao cair do ácido, fumega corrosivo frio no morno da pele.

[A gabardina é inexistente quando efectivamente cai a chuva poluente.]

Chibatam-se os espíritos errantes em estalares dissonantes. Aparente tortura visível na desconstrução das plataformas caminhadas vezes sem conta. Arranca-se o tapete preto alcatrão e caem os corpos, os vivos, por entre as ondas de calor da mente, sempre fervente.

Reconstrói-se tapete a tapete, todos os grãos e camadas deste energúmeno chão.

Todos os dias são “Camelo, Leão e Criança”. Diariamente se relê mentalmente o livro da concórdia. Um dos muito poucos…

Espelho da insanidade baça vaporizada pelos arfares carnais que resvalam na recusa quando tudo se assume voluptuoso à priori.

Anseia-se a luxúria quando esta é a ultima vespa no centro ventral do existir.


“I am Katrina”

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Necessários 3D's


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A fútil elação dos membros atribuídos a um acerebral ser

a ingratidão de mão que estende e guarda no peito

Pressentida a Inveja mordaz do desejo.



Objectiva-se a futilidade do ser à visão do concreto, monumento selecto e (in) discreto desprendido de materializações absolutas, descarta visões futuristas pelos globos oculares que se entranham no cerebelo. Anseia-se o subjectivo na concretização da palavra etérea ardida no roçar da língua contra o palato pela desmaterialização do monumento concreto.


Discretas flores e curvas traçam a moldura em tons de dourado, verde e vermelho num sobejo preenchimento a branco transparente invisível. Só na exposição se adensa na materialização da visão monumental da pintura final.


A pintura é realçada pela moldura que alterna de cor mediante a decoração do meio ambiente ganhando a concretização da multiplicidade de olhares conseguidos num desvanecido plebeísmo ubíquo multiplicado por óculos 3D; à falta de visão recorre-se ao subjectivismo. Ou será característica intrínseca à Arte?


A arte é como a culinária. Acerto nos ingredientes e nas pupilas gustativas de quem degusta.



È tudo tão subjectivo que dispensa qualificações, igualmente subjectivas. Pois estas serão sempre, ou quase sempre, egocêntricos prismas.
Certamente portanto poder-se-á considerar...
Quem me poderá dizer o que é ARTE?
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Nota: E Porque o dia só tem 24 horas, existirá um delay entre os comentários e a sua respectiva publicação, bem como os meus agradecimentos e opinanços sobre os mesmos. Daí que as conversas terão de ser adiadas mais para o final do dia...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Barcos


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Hoje sinto-te a rumar além da linha do Horizonte do desespero, e antevejo a tua dor. È mais difícil rumar no mar do silêncio do que no mar das lágrimas. Vejo-te partir na bruma das palavras e despretensiosamente te aviso que o abismo para que rumas é o maior inferno na terra. O silêncio por opção, porque não há palavras, nem expressões que o definam. È a negação da vida exterior perante a estéril água que nos inunda. Relembro-te que o abismo fede na sua profunda podridão das carcaças lá deixadas, que o húmido que sentes e se escorre pelas pantanosas paredes é as tuas ressequidas lágrimas que congelaram formando estalactites cristalinas onde se reflecte a não luz. È o vazio, o vácuo, o nada. È o tecto que se encolhe e mingua o oxigénio entre o desfazer das moléculas do espaço entre ti e o chão. Chão esse, que ainda não alcanças porque a queda no abismo é interminável e não haverá lágrimas imensas que te façam submergir o corpo á superfície, remetendo-te assim ao profundo, imenso e negro silêncio da clausura interna. Não desistas… o inferno é um adjectivo amoroso face á realidade do silêncio.



Queria-te ver a remar contra essa maré avassaladora que te chupa para o vortex do teu deprimente ser. È um estado de alma combatido a ferro e fogo diariamente com sangue, suor e lágrimas.





Não vás…



Se decidires ir mesmo assim, no intuito de sufocar a dor, relembra que poderás sempre encontrar um remo a mais… quem sabe, nessa tua abrupta partida, não encontrarás ramos que arrombem o casco e te façam parar na tua brutalmente descida vertical.


Se decidires ir mesmo assim… deixo-te aqui a minha pequena mão no intuito de te transpirar o calor do esforço que é remar.



Não vás…


È tudo tão mais insuportável...








[Nota: Este posto foi construído em reacção a um outro post de um outro mudo, que lhe agradeço a bondade da partilha do ser.]


domingo, 12 de outubro de 2008

Escriba


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Suponho que o acto de escrever seja um acto sexual.

Tal como o desejo voluptuoso, o anseio da escrita é vincado pela potência da descarga almejada, que por um motivo qualquer, não se consegue, ou não se quer, ejacular para outras plataformas.

Será preciso um turbilhão de pensamentos e sentimentos para que se erga o sexo e/ou se deitem os dedos sobre o papel virtual que por entre os espaços das letras se acaricia o toque intenso da intima indução do ser.

Nos desenhos que aqui construo entrego-me de corpo e alma ao delicadamente violento escrever de mim. Tal como no sexo, escrevo o que sou e sou o que escrevo, de peito aberto expondo a minha vulnerabilidade aos olhos de quem me sente, estabelecendo á priori o bem-querer e a boa fé.

Somente assim, me dou e me escrevo, crendo que quem me lê e me recebe, me aceita assim, nua.
O que mais poderia eu esperar se não a mesma entrega?!
Não, não sou ingénua nesta consideração.



Não sei não ser o que escrevo e o que escrevo desconhece o não reflectir do eu.




[Não sei se repararam, mas coloquei à entrada um cabide para que se possam despir]

Espanto dos campos

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Exalo o ar

evaporo o peso

exorcizo os poros
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fundo-me no ortopédico

carrego no ar

o meu chapéu de mil palhas
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escalpo cada uma

engulo-lhes a terra

disseco numa diarreia mental

segada palha do meu chapéu
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Sou o espantalho dos campos

obstinação calcária

prostrar penetrante taciturno
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desenredo agonizante

enjoo da cadência

inevitável explanação
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as asas no relevo da palha

os espantalhos não voam

permanecem ostracismos

vesiculares juncos do meu chapéu.
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sábado, 11 de outubro de 2008

Matemática (ir)racional

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Ridícula indigência que almeja a volúpia do colo em verticalidades fechadas dimensionalmente.
Consciencialização da miséria que corrompe o pensamento arrastado pelo cansaço diário que se adi à índole pesada ingénita da fervente existência.
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Encerramento do subjectivo latente e errante pelejando pelos velozes caminhos do raciocínio analogamente falsos face à realidade... Aporta a nómada congruência coexistente no inóspito latejar da salubridade inexistente na quimera do almejo néscio.
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Apavora-me a imutabilidade incompatível dos raciocínios lógicos que estranho o desígnio do aprazimento. Desespero efectivamente pela igualdade na expressão filosófica de um entendimento dissonante dos ecos, que constato, serem no vácuo. A imutabilidade do vácuo inconformado.
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Não me outorgo a esta equação do desvanecido sinal.
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Negativo

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Espreita o sol por entre as fendas

acariciando-lhe os olhos,

beija um bom dia num raio

que se enrola na sua luz.

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Hoje é dia de revolta profunda,

guerra aberta e declarada

às inanidades

preconceitos

e incapacidades.

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Francamente inspirada

olha para o guarda fato...

Do armário tira as botas do bondage

do roupeiro a mini saia

o camiseiro e o casaco

da gaveta as meias e as ligas...

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Pelo intervalo do respirar

ficou largada a roupa.

Cobre-se os poros no húmido quente

desfiam-se os cabelos

fuma-se o cigarro que morre nos lábios.

Respira-se o oxigénio

permite-se o kinky.

Desenha-se um sorriso...

Hoje é dia de provocação...

Show auto-erótico egocêntrico.

Inala-se a sexualidade

raramente declarada,

assumidamente disfarçada,

demasiado selvagem e fatal.

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[Details... are everything...]

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As botas apertadas revelando

zippers confinados ás curvas,

Meias esticadas e presas no bordado

delicadamente preso ás coxas,

revela o seguimento da linha preta

que escala pernas e contornos.

Saia espevitadamente rachada e cintada,

beijando ao de leve os joelhos.

Camiseiro preto atrevido,

justo, discretamente insinuante.

Casaco preto, recto e retrô

inevitavelmente entreaberto.

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Exala-se o perfume da feminilidade.

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Ela hoje simplesmente está radiante.

Porquê?

Porque negativou ao exame - o assombroso cancro da mama.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Som inanimado

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Fascino-me pelas entrenhas fudibundas

mergulho-me na envolvência do ser

enrolam-me nas convulsões corcundas.













Manifesto enlevo mórbido

Latente reflexo existencial

Puxo o lustro ao detalhe sórdido

de contruções, quiçá, subjectivas.













Tento impugnar a doutrina

afundo as mãos no mundo

seguro-lhes o arraigado

aperto as mãos e fechos os dedos

rubras cinzas...

dispersam-se no meu hálito.

Nada tenho mais a retirar

Tudo se refuta e liquefaz

Nada se cumpre, tudo se promete

Restam as mãos ensanguentadas

pós de inanidades de tudos e nadas.










Nem eco faz...
















[relembra-me as gaffes cinematográficas
Space Shuttle que dispara raios laser XPTO's
rugem pela vacuidade do espaço.]















È como os outros.

Aparentes ecos na ingnorância.














Warp 10



Away to the Black Hole





Roger!

Over and Out...











quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Letter to a Stranger - II


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Dear Stranger,



Arrasto-me até aqui

rugindo a minha armadura

ruínas de uma batalha.

Largo por aqui e por ali

bocados de metal rombo.

Alivio-me num sentar

na pedra da dor.



Pressinto-te, ainda na pior das guerras,

a tua, a interna, a eterna

Desnudo-me das armas

e aguardo

serenamente pelos seixos

disponho-me a arrebatar o terror

a amparar-te o suor

a limpar-te o sangue

barrar-te a dor.



Sou uma mulher de guerras e de curas

sou o doce e o azedo

o sangue e a água que lava o sangue.












My Best Regards,