De facto é muito difícil de aprender. Eu cá acho que é por causa da estúpida da esperança, a crença eternizada no meu ADN da vaga possibilidade, de um dia acontecer para quase todo o sempre.
Por um lado, ainda bem que me é difícil de aprender porque se o fizesse... estaria petrificada, fechada, isolada e gelada.
Se bem que já começo a aprender muitas coisas e verifico que fica cada vez mais difícil abrir a porta. Fica difícil, sobretudo deixar entrar... fica tudo no Hall do "prédio".
E é verdade, o nosso pior inimigo, somos nós mesmos. Inflexíveis e cruéis...
E como diz um amigo meu, é como andar de "cutelo" na mão, sempre pronta a cortar o "mal" pela raiz à mínima sombra de dúvida.
Penso que é o arrebatador que não existe, a procura de coisas irreais, fantasias de sonhos cor-de-rosa no negrume do nosso mundo. Depois por contraste vem o medo. O medo de acreditar, de sentir, de ferver, para logo a seguir morrer de novo. Aqui entra a desilusão das palavras; a provação da realidade amarga que cepa a raiz da esperança... e voltamos de novo ao mesmo...
Lambemos as feridas no claustro do nosso castelo no ar. Fechamos a porta, deitamos fora a chave. Choramos, penamos, gritamos e um dia levantamos a cabeça a pensar que a ferida já fechou. Mais uma cicatriz em cima de outra cicatriz.
Isto faz-me lembrar as cesarianas... Partos paridos precoces. Acho que é isso mesmo. Partos sofridos que acabam em cesarianas. Filhos atrás uns dos outros. Nados mortos. Mas mesmo assim tentamos de novo. Lavamos o corpo, rebaptizamos a alma e saramos o coração. E lá vamos nós de novo à entrega do coração, do corpo e da alma...
Partos paridos sem recobro.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Coração, Corpo e Alma
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
achei-me perdida
forte e carregada
desliguei-me da corrente
fechei-me no claustro do meu corpo
e…
fustiguei-me
sangrei-me
devorei-me
jurei-me
menti-me
maltratei-me
… comi-me
odiei-me
amei-me
… não aprendi
nem a regra...
.
Ouve um dia em que me achei sensível
aprendi
a libertinagem
a selvagem
a fome e a sede
a viagem
do não ser, sendo nós.
Ouve um dia que me achei
somente a mim
e desaprendi
nas fendas da minha alma
a memória do esquecimento
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Voltas amanhã
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A fairy Tail

Cola-se fazendo desenhos estranhos, a areia fina, quente e pontiaguda, às linhas que tenho ainda mornas na pele. Fazem desenhos descendentes de rios secos.
(Pois… os mortos…)
Olho para trás, pelo canto do ombro. Montes, pilhas e covas. Confunde-se com o ondulado daqueles gigantes de areia, castanha, vermelha e preta. Desenham quase cornucópias. A areia que os tapa, aos poucos e poucos, enquanto vislumbro as roupas encardidas de nojo meu a desaparecerem, no fosso que será a memória.
Nada.
Não sinto nada.
Nem vazio. Nem molhado.
Só a areia a furar-me a pele pelas garras da raiva do vento.
Abro os olhos e gravo O Silêncio.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Corro, corro e não fujo
.
.
O que me alimenta,
me move,
o que me instiga ao caos?
A Ira.
Não, não sou dada a movimentos ténues,
não, não sou dada a danças doces e delicadas.
nem tão pouco sou suave…
Hoje, quem me conhece?
Ninguém…
…só a Raiva se lembra.
.
.
.
.
.
.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Invisual
.
Amarelas,
as insónias vespertinas
mudas e opacas
cravos doentes da memória
do verde,
dos meus olhos
da cor,
da minha negra transparência
que uso,
quando o vermelho deixou de ser vivo.
.
(segura-me o braço
antes de eu saber…
que já parti…)
.
…lilás esguio da farsa que trago na alma.
[ReVoltei porque não sei não escrever...]
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Até já
.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Esqueci-me de mim
.
.
.
(O café que já não aquece, o copo meio vazio.)
Choro as cinzas de uma chama que não ardeu,
que andam nos pés no passo que não é o meu,
e as palavras que ninguém prometeu
nas formas do corpo que já não é seu.
Amo.
Amo alguém
no entanto não há quem…
quem conheça a alma…
além…
(Choram-me os olhos, molham-me os lábios.)
Amo.
Amo alguém.
alguém que não nasceu,
não voou,
não passou…
amo o silêncio da inexistência.
(Sabe-me a sal o que me dança na língua)
São,
as palavras que nunca te soprei.
Estas,
as que escorrem no vidro do tempo,
estas,
que sei que não conheço,
o sabor a doce do momento.
Amo.
No café que bebo,
entre as mãos
o quente…
fingido este quente,
de um corpo ausente
de uma alma dormente.
Um bem querer
que não sei saber
na dor da alma de não ter.
(As palavras que me matam e me morrem nos lábios.)
.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
00:15
Tenho-te
Seguro
Seguro-te
Inspiro
Inspiro-te
Tenho-te seguro na inspiração.
Marcam as rugas na pele de um semblante. Histórias de uma puta rameira que me explora e que me larga, gelada, coberta de roupas velhas e pés quentes. Eu e os meus livros que não leio. Vivo. Na ponta dos dedos que cruzam as linhas em busca da palavra que não ouço. Passo o tempo, inócuo à minha existência como quem observa a relva a crescer. Espero impacientemente como se fosse uma velha, o dia, o minuto e o segundo em que tudo se desvaneça num pestanejar incompleto, perpétuo.
Nas roupas velhas que não usei, espero que um dia me venhas comer o que me come por dentro.
Guardo a cereja numa caixa e espero que o céu um dia desça à terra e a coma, nas palavras sem vento, de uma noite de estrelas e de chuva.
Sentar-me-ei, com estas roupas velhas a viver as vidas de papel, até que os olhos me doam em frente a uma cereja guardada no quente do peito.
.
Tenho-me
Seguro-me
Inspiro-me


