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Se ao menos a voz entoasse e os olhos riscassem o céu.
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. . . Aqui ficam resíduos de mim . . .
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A cadeira gelada arrepiou-a e fechou o casaco à procura do abraço de alguém.
Nem sequer estava frio e os casacos serviam apenas para matar saudades do vento.
Até o tempo mudou. Mudou e parou por uns segundos.
Dizem que quando morremos nos passa uma curta-metragem pelos olhos, pois se assim é, ela morreu ali, depois de morta.
A mesa redonda de uma madeira gasta de tanta água serviu de apoio aos cotovelos. Não largou o casaco cruzado em frente ao peito e nem os cabelos a voar ao vento a fizeram mexer as mãos, as tais à procura dos braços.
O frenesim dos carros e dos taxistas apressados, os saltos das senhoras desequilibradas em cima de agulhas, as pastas deles em consonância com os passos e os miúdos. Os miúdos arrastados pelas mãos seguravam um balão cheio de sonhos feitos de imaginação. Algures no meio daquela multidão apressada e desajeitada, por entre pequenos espaços de passos apressados surgiu uma, diferente das outras.
Ela tinha 14, ele tinha 18. Ela demasiado nova e fresca, ele demasiado pesado e fosco.
Não se tocaram, não sorriram, não se mexeram. Como se não existissem.
A vida cedeu ao tempo e ela ao sorrir com os olhos a brilhar, deu-lhe um abraço sereno.
Quem visse aquele olhar…dizem que mudava vidas inteiras, aqueles olhos.
Ele? Ele sentou-se no chão quando ela lhe disse adeus.
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Losing it…
As mãos suadas passam pelo cabelo solto, numa tentativa de aclarar ideias e serenar a alma.
A cabeça poisa sobre a palma das mãos como se conseguisse segurar o mundo. As mãos equilibradas nos cotovelos espetados nas pernas magras afundam um gelo que se infiltra nas veias refundidas e profundas que congelam todos os movimentos. Tudo quieto. Os olhos fechados deixam cair mais um fruto mundano. Os dentes cerram e as unhas cravam o escalpe. Tudo quieto. Tudo quieto menos os olhos fechados. O tempo pára mas prossegue o seu rasto arrastando os minutos eternos de uma tortura imprópria.
A madeira estala e o chão estremece.
O tempo é coisa que não existe.
Findinf it...
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