...."Entre por essa porta agoraE diga que me adoraVocê tem meia horaPra mudar a minha vidaVem, v'amboraQue o que você demoraÉ o que o tempo levaAinda tem o seu perfume pela casaAinda tem você na salaPorque meu coração disparaQuando tem o seu cheiroDentro de um livroDentro da noite velozAinda tem o seu perfume pela casaAinda tem você na salaPorque meu coração disparaQuando tem o seu cheiroDentro de um livroNa cinza das horas"O taciturno mundo parou,
as antigas badaladas já não ecoam,
em divisões nuas de tantos móveis,
o relógio de parede estagnou.
A Lua já não brilha,
as árvores já não murmuram,
e os morcegos…
esses tantos que me habitam os becos,
nem esses... confidentes dos meus segredos.
Nem esses.
Tudo se silenciou.
Os meus dedos já não escrevem,
nem a caneta, nem a gesto,
vagos e perdidos numa aragem de verão,
esses, porém não esquecem...
Já nem os sonhos gemem,
o corpo recusa o manifesto,
e a mente adormece em protesto.
Enquanto os dedos estiverem vazios,
enquanto a cor for cinzenta,
no lugar do coração.
Esse tal, que se quer eterno.
* Letra de Adriana Cacanhoto - Vambora