quinta-feira, 12 de março de 2009

Essência


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Ainda tenho a tua língua na minha boca…
e…
os teus lábios no meu pescoço..
nos ouvidos trago a melodia dos corpos
e debaixo da pele…
trago os teus dedos
que me ondulam como um mar revolto
cravados nos meus ossos
trago os teus olhos
na minha alma
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terça-feira, 10 de março de 2009

Coração de ervilha




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No meu céu que não se junta com o teu, naquela linha do horizonte onde não te chego, não te toco e só te sinto, às vezes…apalpo o betão que me fere a vista e arranho as janelas para o mundo, para o meu mundo…provo a cor dos tijolos e mastigo a plasticina dos nossos corpos às cores que não me sai da boca o sabor. Ouço a madeira que estala na voz do meu silêncio e ensurdeço no grito histérico da afónica loucura amarrada no colete de forças, branco sujo de conspurcado do negro do mundo que me entra pelos olhos e me viola a mente, a alma e o meu pequeno e vermelho coração.

Posso?
Posso virar ao contrário a clepsidra e assim ficar, sempre? A brincar com o tempo que quase me escorre nas mãos cansadas de tanto tentar virar e dobrar o tempo…
O tempo… porque passa e porque não passa, mas que o espelho teima e faz questão de mostrar que, quer passe ou não passe, continuo aqui, a ver o tempo passar por mim.

A clepsidra que resvala e me marca que nem um tronco velho e aberto de seco que nem a água do tempo emudece.
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Tenho um coração de ervilha...

domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher

Eu celebro o dia da Mulher todos os dias.
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E elas?
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e TU?
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Dedico este hipócrita "Dia Internancional da Mulher" a todas as mulheres que não se celebram como mulheres, nem sequer como seres humanos, todos os dias do ano..
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domingo, 1 de março de 2009

Espero na certeza do regresso





Vou
transformo em pássaro o meu pensamento
e delicio-me no momento…


poiso
perscruto o teu murmúrio alucinado
e tão bem que te sei desvairado…
(pelo perfume quente das flores…)

sussurro-te
que te sei o cheiro
que te sei por inteiro
que te pressinto pelo nevoeiro

sorrio
na solidão da razão que afinal,
sempre foi o meu pecado mais (i)mortal.

vou
gravada pela tua mão
que me acariciou a solidão…
não, não sou a mera imensidão,
sou só e apenas
a concretização.

poiso
no teu peito cheio do cheiro de mim,
na efusão de um nós…
eu, tu e a possibilidade de se suceder.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Feuda quê?


Ao ler o jornal do dia de hoje, assombrou-se-me uma dúvida, quiçá, pertinente.



Em que ano estamos, mesmo?”



Perguntarão vocês se bati com a cabeça durante a noite, ou se adormeci no caminho e acordei desnorteada… pois eu informo que nada disso se sucedeu. Simplesmente me pareceu estarmos regressados à época do Feudalismo e do sistema económico precário (ou nem tanto…) vigente na altura.

Numa era em que a moeda vale muito menos que o seu valor financeiro, teoricamente atribuído pelos pseudo senhores das marionetas, insurgiu-me a ideia de que está de novo na moda pagar “lebre por gato”, ou seja, em géneros.
Eu explico. Vamos às compras, seja lá o valor que for, e constatamos que numa das nossas duas carteiras, não temos moedas suficientes para pagar o que pretendemos adquirir; e como somos muito pouco materialistas e ainda menos orgulhosos, decidimos sensatamente pagar com o corpo, mas denote-se que é com o corpo dos outros, e não com o nosso, obviamente (ouvi dizer que a prostituição era ilegal…). Isto porque a nossa outra carteira está… digamos que, ora suja, ora muitíssimo bem arrumada.
Vendemos o corpo dos outros! Permitimos a abertura anal e enfiamos-lhe uma conjectura económica e financeira, a seco. Como? É muito simples! Vendemos as acções (a carteira, a alma e o corpo) da empresa, que é constituída por um certo número de pessoas que efectivamente trabalham, e desculpamo-nos com o pequeno e insignificante detail social e económico que é a desvalorização da moeda e as suas consequências.
Ou seja, pomos o corpo dos outros no “prego”.

- Vamos às compras?
- Vamos! Mas… e dinheiro?
- Não te preocupes amiguinho, eu vendo o teu corpo caso não me dê muito jeito pagar a pronto.
- Ah! Sendo assim parece-me bem. Mas esclarece-me uma dúvida se faz favor… Estamos em que ano, mesmo?

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Apetecia-me algo...

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Apetecia-me chamar Machiavelli de menino...
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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Na mesa dos lobos

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Se todos fossemos arrogantes ao nos bastarmos com as leituras diagonais, éramos todos surdos, mudos e cegos.

Poupem-me à pertinácia da supremacia da arrogância levemente molhada pelo orvalho do orgulho e misturada com a inveja pelas leves pepitas de ignorância.

Bolachinhas? Não obrigada.

Bebo um chá quente de menta numa fria caneca aquecida e sorriu discretamente no ruído da tua gargalhada. Argumento a minha servidão à fome e à sede do que devoro e dispenso-te até a explanação do porquê. Como dizia a minha avó: ”Pérolas a porcos”. Achar-me-ás agora arrogante? Pois então de que me vale a dissertação de um sapo, se o que queres ver é o meu suor e não a perspectiva?

O meu silêncio é como quase tudo em mim, um símbolo da minha dualista essência.
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(e bebo mais um gole deste chá…)

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Shall We?

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Should I smile..?

(Never point a gun unless you are willing to shoot it)

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Bom fim de semana

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Apeteces-me... aqui ... no esquerdo...
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(bom fim de semana)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Merge




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Acordo desperta de um sono azul opaco
desenrolo as pestanas e beija-me o sol
dourado transparente
descoso os lábios lisos e passo a língua
rubra e molhada
ginastico a face num sorriso
lilás vaporoso
estendo os ossos e ponho a mão
cálida
rebolo e corpo e toco
suave
preparo a voz e gesticulo
rouca, quase afónica
bom dia meu querido

Sinto a compulsão do magnetismo que me puxa para o teu corpo
encaixo-me em ti e conjugo o verbo
enrolo os olhos, tranco a voz
prendo o ar tatuando-te
solto-me e adormeço.
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