Corro para o deixar na cresce, corro para os transportes.
Enlato-me pelo meio do Metro, corro para chegar a horas ao trabalho.
Engulo uns cigarros pelos intervalos dos transportes.
Como qualquer coisa no escritório pelo meio de uma bica já morna, entre telefonemas, reuniões e concretizações, como mais uns cigarros e espalho as migalhas do meu pequeno-almoço pelos papéis e pelo teclado.
Assopro para que não atrapalhe a escrita de "n" coisas...
Coisas essas que me roubam a capacidade mental particular e me permitem somente maquinar as tarefas laborais.
Apressadamente oriento os afazeres, as obras, o telefone e a internet que ainda não chegou... irrita-me todas estas mudanças feitas em cima do joelho.
Corro para o almoço. Engulo uma sopa e uma gelado que só eu sei... caprichos da minha gulosa boca.
Nestes 45 minutos, aproveito para respirar o ar puro, cheio de poluição, encho de novo os pulmões de ar, e mergulho outra vez.
Corro para mais meio dia de stress.
Engulo mais uns cigarros, sorvo mais uns cafés.
Desaparece mais uma tarde.
Digo até amanhã.
Corro de novo para o enlatado Metro, corro para o outro Metro.
Corro para apanhar o Barco e durante 10 minutos respiro.
Saio inevitavelmente a correr, ultrapasso meia multidão para tentar não perder o tal autocarro esporádico.
Nesta fase, já me doem os pés, pesam-me as pernas e arrasta-se o corpo.
Corro para chegar a casa para conseguir estar mais tempo com ele.
Brinco pelo meio do duche e do jantar.
Arrasto-me para o por a dormir.
E o que tem sucedido é que eu me deixo dormir primeiro que ele!






