domingo, 14 de setembro de 2008

No silêncio da violência

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Hoje sei que estou só nesta viagem solitária pela morte de outros.






Hoje relembro palavras que me rasgam a carne,
Dilaceram a alma feita de ferro.
Hoje sei que palavras enviadas pelo olhar me matam.








Calor que me aquece o corpo pelas veias bombeando o sangue quente relembra-me a hora combinada, faz-me apressar os pequenos passos, vestir qualquer coisa de curto, por um perfume intenso, calçar os sapatos do requinte, pentear o cabelo de qualquer forma só para não parecer desajeitado demais. Preparo tudo, anseio a chegada...

Tocou a campainha e ele entrou. Com aqueles olhos azuis e de cara marcada pelas sardas que concordam com o cabelo e pele clara, que hoje me faz lembrar raças arianas, respiras o meu nome num tom paranóico e alucinado.

[Apenas pensei que fosse só "querer".]

Digo: "Bom Dia, como estás?" e a reposta foi directa e precisa: "Bom Dia!"; logo a seguir a um beijo que me ocupou a mente por mais de meia hora, os braços que me envolveram os traços, as mãos que me tactearam as curvas do meu jovem ser... Ainda te vi os olhos azuis, as sardas, o loiro e o branco da pele como algo suave, discreto e bonito...
O olhar azul mudou de repente, as sardas espalharam-se pela cara cobrindo-a de negro, o azul desvaneceu, o loiro virou vermelho e o branco passou a preto. Mutação absoluta metamorfoseada em pleno calor.

Há quem não goste da palavra NÃO!

Hoje relembro como um Gigantone, de olho azul profundo, pintas castanhas, traço fino, farpas em lugar de cabelo. Abismo em lugar do ser.

Hoje relembro como pequena sobrevivência num qualquer quarto escuro, selado, com cheiro a mofo e a podre, com varejeiras que sugam o sangue e picam os olhos, com as cortinas negras e espessas que se tocam no meio daquela janela sem que nada passe, nada transpire, nada se veja, nem luz inunde; com uma porta forrada a preto, almofadada com o requinte hospitalar de pequenos botões por entre o almofadado e fechada.

Hoje relembro a morte de outros.

Hoje gostava que sentisses este misto de sentimentos que nem ouso sequer relatar ou tentar transparecer. Seria sanguíneo de mais, violento de mais, brutal de mais.


























(para ti ó grandessíssimo Filho da Puta, dirijo a seguinte frase... Um dia, quando te sentires assim, vais perceber a Morte! E Eu? Eu vou estar "Dancing on Your Grave"!)

Monólogos

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Olhar vazio para umas imagens fugazes e desfocadas num quadrado que desprezo, cigarros ardem no cinzeiro já preto, maltratado e abusado.
O Copo que se assombra á minha frente faz insurgir a duvida.



Abana-se o copo e espreita-se a cor, na esperança de reflectir uma outra imagem que não a que espreita, na esperança de derreter o gelo do copo e as pedras da alma, abre-se a boca e deixa-se escorregar aquele liquido doce que tacteia os lábios que ardem e a língua que não se cala.



Decide-se finalmente pensar no assunto.
Os olhos pregam-se em palavras injuriadas a uma cadeira vazia qualquer. Mais uma passa no cigarro, mais um dia a menos... O cérebro teima em fugas aparentes na tentativa do desvanecimento. Decide-se mais uma vez pelo debruço sobre o tema. Os olhos espairam, atravessam e fixam, o corpo fica imóvel, o respirar cessa. E visualiza-se a cena em questão.

Focagem absoluta.
Quase que dá para ouvir os pensamentos.
Quase que dá para morrer naquele momento.


Numa viagem interna, desliga-se o corpo, o contacto com o mundo... Começou a viagem...



Ás tantas corre uma lágrima que embate na borda do copo, o gelo derreteu, o cigarro apagou e o dono anuncia que já fechou. Levanta-se os olhos poisados naquela fusão de álcool e sal,
prepara-se a nota, diz-se Boa Noite e desvanece-se.

E nesse dia especial, porque se reviu e se refez,
decide que acabou a guerra, o amor e o fel.



For now on... im Numb!






sábado, 13 de setembro de 2008

Chagas



Cai a seda no sofá delicadamente sobre o braço,
estende-se em toda a sua tranquilidade sobre o preto da pele.
Por entre a brecha da janela entra uma brisa com cheiro a jasmim,
roça-me o corpo, a acorda-me a alma para o vislumbramento do ser.


Nas minhas pernas jazem as marcas,
os riscos traçados pelas unhas
que num sonho qualquer
me rasgaram a carne
numa tentativa absurda de respirar o branco.

Destilo os meus venenos pelos poros da minha pele.
Abrem-se as chagas e escorre o sangue.

Evado-me em tentativas de sobreviver
ao veneno da poluição do manifesto,
tento não guardar em mim o negro da nulidade,
expulso os restos mortais dos outros,
abre-se a carne, escorre-me o sangue.

Sou no meu corpo, um manifesto vivo,
marcado,
sangrado,
e nem sempre cicatrizado,
das inócuas vivências do ser.




sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Manhã

De cotovelos poisados na ombreira da janela, envolvo a chávena fumegante, com o cigarro pendurado nos dedos e deixo-me acordar.


Visualizo o dia.... clepsidras em contra tempo.


Enquanto gozo os meus 7 minutos de paz matinal, o cigarro queima e o café arrefece... Acabou-se o tempo.


O puto acorda com um sorriso que me faz acalmar o semblante e testar as primeiras palavras da manhã: "Bom Dia Amor!". Ele retribui com um sorriso que só eu sei e estende-me os braços. Não há nada que mais me acalme... Sentir aqueles bracinhos em volta do meu pescoço e um beijinho na minha face!


Começou a corrida. Fazer a papa, vestir, brincadeira e palhaçada pelo meio. Tratar de mim, vestir-me. Por o pinguim no popó da escola. Apanhar o autocarro e... começou mais um momento de mim para mim.


Aprecio os semblantes de quem entra, retrato-lhes o estado e as memórias. Quase quase que os sinto. Olho-os nos olhos por detrás do meus óculos escuros e espreito-lhes a alma e quase que consigo dissertar sobre. Viajo em vidas que desconheço. Relato-lhes a experiência e quando dou pelo cessar dos solavancos, reparo que já chegou o fim do trajecto. Passo á Ponte. Mais uma viagem. Esta por norma introspectiva. Normalmente escrevo nesta viagem, guardo na minha alma a recordação das letras escritas nos vidros do comboio que se apagam com a minha saída.


Vou para o escritório, abro tudo o que é PC's e abro a minha página, esta minha caixa onde guardo os meus eus e os meus restos, e esvazio os meus dedos em toques infindáveis em teclas. Publico alguns, outros guardo só para mim e mostro a mim mesma o quão tímida sou. Sim porque a timidez vai além do visível. Sim, porque eu realmente digo somente 1/4 do que me vai na alma..



Toca o telefone, organizo os mails, vou á porta, páro para conversar... confesso que tem dias que me perco em ramificações intermináveis, delírios intangíveis e em pensamentos utópicos... toca o telefone, mando uns mails, fecho a porta.



Organizo-me, desorganizam-me, reponho-me e escrevo. Deixo aqui pequenas amostras da minha pele, as cicatrizes que me rotulam a alma e me fazem diferente. È como nos frigoríficos pré-cova. Identifico-me pelo que me marca a tez, até porque, se todos nos expuséssemos nus, nus até ao Tutano... seriamos todos iguais. Todos queremos o mesmo... os nossos limites e curvas na estrada é que nos mudam e nos tornam reconhecíveis. Fora isso... todos somos iguais.



E eu, sou igual a tantas outras e outros, posso ter é mais ou menos cicatrizes.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Seekers

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Que caralho andamos aqui a fazer?


A morrer aos poucos?


A Inspirar nicotina, encher as veias de cafeína?


A programar o dia mediante uma qualquer clepsidra que não marca o mesmo tempo que nós?



È o delírio da realidade que me acorrenta as palavras, que me Turba a mente que só ás vezes, muito timidamente confesso, que de todo, sou uma eterna seeker. Porque no fundo, para além do meu abandono e desprezo, jaz uma eterna imensidão num mar de "eus" que não controlo, alguns desconheço, outros desprezo e outros adormeço. Que se revolta na praia, que morre na praia que de todo desconheço, a areia que roço um limiar de um sonho que não sonhei. As ondas que rebentam em pleno mar sem nunca tocarem a margem.




Queria numa madrugada calmaria invadir-te com o meu sal, o meu imenso, e fazer revoltar em ti todos os grãos de areia numa tentativa de fusão eterna.




Que caralho faço aqui?


Aguardo.




(Na verdade? Desespero)




Doces, chocolates e Champagne

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No macio da cama aguardo a antevisão da tua sombra que entra pela porta que eu deixei entreaberta para que entres directamente olvidando o proferir das palavras...







P
R
O
V
A

M
E

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A vermelho

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Soberbamente equilibrada no ponto onde tudo se toca
abro as mãos ao vento
tacteio o teu sussurro trazido pelo ar

Gelo trazido pela nuvem que me invadiu a alma
petrifico
E ao som dos pássaros que me trespassam
solto-me...
No ponto onde tudo se toca
Abandono-me



Para trás ficou um pedaço de mim
largado ao vento
tingido a vermelho.





Música, Letras e Eu

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O toque dos dedos
no doce branco das teclas,
O assombramento das pontas
no preto,
A força que
espanca a pele,
Os ritmos
que te tocam nos dedos...










Assim me sinto,
Tocada,
Curtida,
Espancada.

Atravessa o corpo
delicadamente repousado
esta cor de fogo
esta pálida minha cor.
Roxo nos lábios
Purpura nos cabelos
Verde nos olhos
Negro na alma.














Sou uma paleta de cores
que jaz num filme a preto e branco
balançado ao ritmo do som.




Expressão na nulidade do som
nas evasão das letras
na opacidade da minha alma






Restos

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Não passes á minha porta,
olvido o cheiro,
Não quero vislumbrar a forma,
querer por inteiro.
não passes á minha frente,
não quero sentir os passos,
possuir na minha mente,
gravar os traços.


NÃO!


Não quero de novo, tou farta do de novo,
hoje fendi-me...
amanha serei outro dia,
igual,
idêntica,
diferença?
Estarei mais eu,
cada vez mais eu,
cada vez menos,
muito menos...
Se te cruzares avec moi
Xiuuuu nem fales,
estou só...
estou a apanhar os cacos...


Baptismo

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Como não poderia deixar de ser, hoje relembro o fim de semana no Avante. Metade do dia a trabalhar e a outra metade enfiada no meio de uma multidão imensa.
Sendo eu desprovida de politiquices e cores que se me assemelham o coração, vou de corpo e alma ao Avante, festa que me deixa assim... liberta!
Este ano não foi de todo excepção, mas... este ano foi melhor que os outros. Porquê? Porque levei o meu filho. Foi o baptismo de fogo, da multidão e do som que nos preenche os espaços vazios entre as moléculas. Pois é, aquele som, no palco, seja ele o principal ou não, faz-me vibrar e viajar de todo. Como tal decidi que o meu pinguim já teria idade para essas andanças e foi avec moi para a algazarra.
Pois bem, filho de quem é, nunca poderia esperar outro tipo de reacção dele a não ser, deslumbramento total pelo emaranhado de gente de todas as formas e feitios, credos e crenças, estilos de vida quase a roçar o oposto, mas que ali convivem irmãmente, sem diferenciação ou "olhares de lado! Ele esteve sempre com aqueles olhos LINDOS, enormes, expressivos, bebedores de conhecimento, sempre, mas sempre, atento, curioso a tudo o que lá havia, pessoas e objectos!
Pois bem, no fim da tarde de Domingo, lá decidi que o corpo, o cansaço e a preguiça não me iriam vencer, nem privar o meu pinguim de tais andanças. Lá fomos. Ele parecia um tonto. Olhava para toda a gente e para tudo como que a gravar na memória aquela experiência. Até que se chegou a altura da prova de fogo. O Concerto da noite.

Bigg band do Hot Club!!!!!!!!!!!!!!!

Eu, de T-shirt, Jeans e ténis, ele a condizer. Puto encaixado na minha anca, mala ao ombro, e os olhos cravados no palco. Só vos posso dizer que eu delirei e o meu pinguim alucinou com tamanha imensidão de SOM! Foi absolutamente fabuloso. Eu dancei, ele dançou. Eu pulei ao som daqueles solos, que no mínimo, os descrevo como soberbos. Ele sentiu o impacto do som no corpinho dele e, para grande espanto meu (nem tanto porque ele sempre ouvi jazz, desde a barriga ao dia a dia lá de casa), o meu filho balançava no meu encaixe, davas aos braços e ficava pasmado ao ver como é que aqueles senhores faziam tamanha beleza!

Foi com muito orgulho que baptizei o meu filhote lindo no mundo dos concertos. E a resposta dele não poderia ter sido melhor! Delirou!

Bem, a seguir aos Hot Club, apresentaram-se os Xutos como não poderia deixar de ser. E para meu delírio total... os Xutos tocaram com o Hot Club! Bem, seu já gostava de Xutos, no Domingo delirei! A mistura do poder de Xutos envolvidos pela sonoridade dos instrumentos jazisticos e o poder do jazz..... o feeling absoluto!
Cantei, pulei, balancei, bati palmas, e acima de tudo... o efeito do som em mim, arrepiei-me todinha ao ouvir aquela magia. O meu filho? LOL Foi o show privado só para mim. Ele cantava os refrões, pulava no meu colo, tocava bateria inclusivamente! dava aos braços e, o espectáculo da noite.... Dava á cabeça ao ritmo do som!!!!!!!

Foi um Domingo extenuante, trabalho e festa do Avante. Nem sei como escrevo hoje...! Enfim. Mas posso-vos garantir que, só por ver o meu filho a amar a musica, valeu por tudo!
Com Muito muito muito orgulho, vi o pinguim a sentir a musica, de dentro para fora. È mesmo filho da mãezinha dele :P